A análise honesta que todo executivo precisa ler antes de agir esse ano
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A Forbes publicou recentemente um artigo sobre as cinco tendências que vão redefinir o mundo do trabalho em 2026. Como mentora de executivos, li a matéria e pensei: “Sim, mas e daí?”
Tendências são interessantes, mas o que importa é como você vai se posicionar diante delas. Aqui está minha visão e, principalmente, o que você precisa fazer AGORA.
1. “Power Skills”: O Equilíbrio Que Poucos Estão Conseguindo
A Forbes fala sobre equilibrar tecnologia com habilidades humanas: as “power skills”. À medida que a IA assume tarefas técnicas, competências como inteligência emocional e influência ganham protagonismo.
Mas aqui está o pulo do gato:
Não adianta ser grande em power skills se você não domina tecnologia. E não adianta dominar tecnologia se você não consegue liderar pessoas ou, pior: não consegue liderar a si próprio.
Executivos técnicos acham que “não precisam ser bons com gente porque entregam resultados”. Líderes carismáticos acham que “não precisam entender de IA porque têm equipes técnicas”. Ambos estão em risco.
Meu conselho: Pare de ver isso como “ou/ou”. O futuro pertence a quem domina ambos: power skills refinadas E fluência em tecnologia aplicada ao seu setor. Identifique qual dos dois está mais fraco em você e trabalhe nisso agora.
2. RH por Resultados – O Verdadeiro Desafio Está na Sua Mesa
A Forbes aponta que o RH precisa demonstrar impacto mensurável. Concordo. Mas essa tendência afeta você diretamente, mesmo que não trabalhe em RH:
Se você não consegue articular como seu trabalho gera valor financeiro, você está em risco.
Não basta mais dizer “lidero uma equipe engajada”, “gerencio projetos complexos” ou “sou responsável pela área X”. A pergunta que sua liderança está fazendo é: “E isso gerou quanto de receita? Quanto economizou? Quanto acelerou?”
Meu conselho: Reformule como você se apresenta. Em vez de listar suas responsabilidades, traduza seus resultados em impacto de negócio. “Reduzi o ciclo de entrega em 30%, gerando R$ 2M em economia operacional” é muito mais poderoso que “melhorei processos”. Números concretos, não descrições genéricas.
3. Engajamento por Propósito – Cuidado Com o Discurso Vazio
Executivos usam “propósito” como palavra da moda sem criar oportunidades reais de crescimento.
Falar sobre propósito em Reuniões Gerais não engaja ninguém. Sabe o que engaja? Dar ao seu analista um projeto desafiador que o tire da zona de conforto. Permitir que sua gerente experimente uma nova abordagem, mesmo que falhe.
Mas tem outro lado: você está claro sobre seu próprio propósito? Não o propósito corporativo bonito do site da sua empresa. O SEU propósito. Por que você acorda todo dia e vai trabalhar? O que te move além do título e do salário?
Verdade com amor: você não consegue inspirar propósito nos outros se você mesmo está vivendo no piloto automático da carreira.
Meu conselho: Antes de discursar sobre propósito, faça duas perguntas: (1) Quantas oportunidades reais de desenvolvimento você ofereceu nos últimos 3 meses? (2) Quando foi a última vez que você refletiu sobre o que realmente te move como líder?
4. Trabalho Remoto – A Batalha Que Muitos Líderes Vão Perder
A Forbes menciona o aumento do trabalho presencial. Sim, está acontecendo. Mas há movimentos paralelos que poucos prestam atenção:
Para líderes: Os melhores talentos estão escolhendo empresas pela flexibilidade, não pelo escritório bonito. Você pode oferecer mesa de sinuca e café gourmet. Mas se seu concorrente oferece autonomia real de onde e como trabalhar, adivinha quem vai atrair o profissional excepcional?
Para quem trabalha remoto: Flexibilidade não é licença para invisibilidade. Se você está remoto, precisa investir dobrado em personal branding, cumprir prazos de forma impecável e criar presença estratégica. A verdade dura: quem não é visto, não é lembrado nas promoções.
Meu conselho para líderes: Aprenda a liderar em modelos híbridos de verdade. Repense reuniões, rituais de equipe e como você avalia performance. Se você ainda mede produtividade por presença, você já perdeu.
Meu conselho para colaboradores remotos: Seja proativo na comunicação, entregue resultados visíveis e crie rituais de conexão com sua equipe. Trabalho remoto exige mais disciplina e proatividade, não menos. Sua carreira depende de como você gerencia sua visibilidade.
5. Diploma ou Habilidade? A Pergunta Que Vai Definir a Empregabilidade
A Forbes fecha com uma tendência provocativa: diplomas tradicionais estão perdendo centralidade para a lógica “skills-first” (habilidades primeiro).
Mas antes de jogar seu diploma no lixo, aqui está o que a Forbes não aprofundou:
A transição não é tão simples. Sim, empresas estão contratando por habilidades. Mas profissionais com bacharelado ganham, em média, 68% a mais. O diploma perdeu o monopólio, mas não perdeu o valor.
A verdade dura: Se você está confortável com seu diploma de 10 anos atrás, acorde. A pergunta não é mais “onde você se formou?”, mas sim “o que você aprendeu nos últimos 6 meses?”
Meu conselho: Pare de ver educação como algo que você “completou”. Invista em habilidades que o mercado está valorizando agora – como domínio de IA aplicada ao seu trabalho, análise de dados ou personal branding estratégico. E principalmente, demonstre essas habilidades com projetos reais e resultados mensuráveis. No mercado de 2026, seu portfólio de realizações vale mais que seu histórico escolar.
Minha Conclusão: Tendências Não Mudam Carreiras, Decisões Mudam
A Forbes fez um bom trabalho mapeando tendências. Mas tendências são apenas informações. O que vai diferenciar um executivo mediano de um excepcional é ter a coragem de agir de forma diferente mesmo quando isso desafia o próprio status quo.
Cada uma dessas cinco tendências exige que você questione como tem se conduzido até agora. E isso é desconfortável. Mas se você quer chegar ao próximo nível da sua carreira, o desconforto não é um efeito colateral. Ele é o caminho.
A pergunta que deixo essa semana: Qual dessas tendências expõe sua maior vulnerabilidade? E o que você vai fazer a respeito?


